Mari  Silva Alexandre

Sou flor, Sou amor. Sou Dor, Sou amor. É nisto que me resumo.

Textos


Estava varrendo a frente de minha casa e vi uma bicicleta parada do outro lado da rua, em frente de uma das casas que tem no jardim uma linda goiabeira. Perto da bicicleta uma senhora falava bem alto ao telefone. Eu mal conseguia concentrar-me, em meus pensamentos, de tão incomodo que era o volume extremo de sua voz.
Eu já havia terminado de varrer e regava o jardim, quando a ouvi falar para o vizinho que mora na casa em frente a minha, que gostaria de um sarrafo para poder soltar do pé, algumas goiabas.
O vizinho, incrédulo, disse a ela que as goiabas tinham dono e que ela deveria chamar alguém que morasse naquela casa para pedir e não pegar goiabas sem autorização.
A senhora ficou bravíssima e saiu xingando o vizinho de frente e o suposto dono que exigia que pedissem e não apanhassem  goiabas sem consentimento.
Ouvi sua última frase: “Os ricos são miseráveis e vão morrer do mesmo jeito. São todos desgraçados.”
Eu fiquei pensando na atitude daquela senhora que havia saído esbravejando sem saciar seu desejo de comer uma goiaba.
Seria muito mais fácil de ter resolvido a situação se ela tivesse pedido ao dono da goiabeira para apanhar a fruta.
Será que é preciso ser rico para plantar um pé de goiaba?
As pessoas são afiadas para criticarem os outros e justificar seus atos ilícitos.
O senhor plantou a goiabeira e nem conhece os transeuntes que passam pela frente da bela árvore frutífera, cobiçando seus frutos e, ainda, esbravejando contra ele, aos quatro cantos, por algo que ele nem possa imaginar.
O vizinho ficou tão surpreso quanto eu, com aquele jeito exaltado dela. Depois que ela passou, rimos com cumplidade daquela “rica” senhora.

Mari S Alexandre
Enviado por Mari S Alexandre em 26/02/2018
Alterado em 17/01/2022
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