

Olho para aquele retrato,
Sem, sequer, conseguir reconhecê-lo, pois, me parece um estranho. Não consigo mais me lembrar de quem foi o meu marido. Sinto como se eu tivesse vivido durante todos esses anos, cuidando dos meu filhos sem a presença de um homem ao meu lado. A vaga lembrança que eu tenho é a de um vulto com semblante indefinido, que fazia parte, não de mim, mas da mobília. Não há nada que faça despertar em mim a lembrança do pai dos meus filhos e do amor de minha vida. Acredito que tudo tenha sido um longo pesadelo de onde eu, muito tarde, acordei. Apesar de saber que foi um longo sonho mal, não me lembro dos detalhes desse sonho e muito menos dos momentos ruins que pautaram a maior parte do tempo em que vivi esse sonho malévolo. Eu não imaginava ser possível que alguém pudesse se desprender de minha memória, depois de três décadas de uma vida em comum. Todo esse passado foi transformado em pó. No pó que o vento se encarregou de levar para bem longe. Mari S Alexandre
Enviado por Mari S Alexandre em 12/09/2015
Alterado em 13/09/2015 Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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