

Canção de Outono
O Outono é, entre as estações, a mais bonita. Nele estão presentes todas as outras estações. O Outono tem, em si, um pouco de cada época do ano. Ele é o laboratório onde se desenham todas as belezas da Primavera, onde se compõe as mais tristes e frias melodias do Inverno, onde se preparam os mais misteriosos encantamentos do Verão. O Outono é a morada dos poetas, cujo teto é feito de estrelas e crepúsculos lilases, e as paredes são feitas de folhas mortas, que esperam para reviver em seus mais apaixonados versos. O Outono é a estação dos sonhos que ensaiam uma existência plena, dos amores que fecundam o chão úmido na espera de frutificar. É a estação de trens dos amores que chegam, dos amores que se vão, para nunca mais voltarem, dos amores que, ansiosos, aguardam a época de se encontrarem, de se reencontrarem, sem ter que jamais partirem. O Outono é violeta, é azul, é ocre e magenta. É nuvem passageira, é pó, é pé de vento, é ventania. É a lira, é a música e a canção. Há um pouco do Outono em mim, e há um pouco de mim no Outono. Sou a felicidade impressa na Primavera. Sou a melancolia adstrita ao Inverno. Sou a contemplação deslumbrante do Verão. Porque tenho um Outono dentro do coração, a meditar e refletir todas as grandezas do ano solar nas águas claras que banham minha alma de sonhar. Mari S Alexandre
Enviado por Mari S Alexandre em 29/03/2015
Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|