

Profundidade Superficial Eu me sinto, espontaneamente, excluída do convívio obrigatório mesmo daqueles que me são valorosos. Observo as pessoas e as percebo, claramente, insatisfeitas na profundidade de seus interiores. Parecem leves exteriormente, todavia, na troca de meia dúzia de palavras, se mostram alteradas, se mostram desestabilizadas. A insatisfação manifestada por quem a sente é demonstrada impulsivamente e a partir de tal ato tudo se transforma e o que poderia ser bom, se converte em momentos tensos e desagradáveis. Noto que as pessoas têm conversado menos sobre coisas interessantes. Aliás, não conversam nem sobre coisas desinteressantes. Parece-me que ficam felizes apenas por terem a presença de alguém ao seu lado, mas que na verdade se distanciam, absortos, em seus aparelhos telefônicos. Quando voltam à realidade, pegam a conversa já iniciada e deduzem o assunto do qual não estavam participando, e quando se dão conta estão ofendendo ou sendo ofendidos. A superficialidade me parece que se transformou em uma nova forma de vida. Eu também tenho feito uso da superficialidade, pois na realidade sinto que não vale a pena qualquer coisa com maior profundidade do que sorrisos e olhares asseverativos. A exclusão opcional da qual escolhi, deu-me tempo e liberdade para me conhecer melhor e aprender que é gostoso me sentir inteira, mesmo que incompleta. Há sempre um modo de vida a ser escolhido. Mari S Alexandre
Enviado por Mari S Alexandre em 25/02/2015
Alterado em 25/07/2015 Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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