

Alcoólatra, homem insensível e frio. Na rotina, vivia embriagado. Nos poucos momentos de sobriedade, era agressivo e mau humorado. Não poderia ser decifrado. Eu não consegui me aproximar de sua essência. Contudo, nela, traduzi o amor que eu sentia em poesia. Quando bebia ele era bom, meigo e carinhoso. Disperso, esbanjador, irresponsável, sonhador, empreendedor. Meu coração vivia aos sobressaltos, minha alegria congelada, minha luta redobrada. Ele sempre brincando de viver, até que um dia vim a descobrir que quem estava brincando de viver era eu, pois ele vivia seriamente uma vida dupla, com sua amante. Meu casaco de visom passou a ornar o corpo de sua amante, assim como, também, as minhas joias. Eu fui roubada, ultrajada, enganada e traída. Quando descoberto, se vitimizar, busca todas as desculpas para Se justificar. O que acabou entre nós foi o que, na verdade, nunca existiu. Durante toda a nossa longa vida em comum, vivemos os três: Eu, ele e a bebida. Mari S Alexandre
Enviado por Mari S Alexandre em 09/02/2015
Alterado em 15/02/2015 Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|