Mari  Silva Alexandre

Sou flor, Sou amor. Sou Dor, Sou amor. É nisto que me resumo.

Textos


CELULAR
 
Algumas vezes quando eu estacionava o carro, numa das ruas de Nova York, eu ficava algum tempo dentro dele observando as pessoas caminhando de um lado para o outro.
Não importava para onde olhasse eu via pessoas falando ou digitando em seus celulares.
O que mais me chamava à atenção era que todas estavam ausentes de si mesmas. Estavam concentradas na voz ou no texto de seus aparelhinhos.
E no cenário havia: mães com bebês no colo, com crianças carregadas pelas mãos, ou sendo empurradas nos carrinhos. Pude observar também casais caminhando de mãos dadas e os dois falando ao telefone ao mesmo tempo. Grupos de amigos onde todos, sem exceção, estavam ligados em seus celulares.
Quando entro nos ônibus é a mesma coisa; encontro as pessoas falando alto em seus celulares com o encanador, com a neta, com a sobrinha, com o marido e fico sabendo de suas particularidades e de seus problemas que nada tenho a ver com isso, e que não gostaria de estar sendo participada.
Nos restaurantes observo a mesma coisa: pessoas reunidas e todas envolvidas com o seus aparelhinhos falantes dando à impressão que se reúnem apenas para que sejam vistas falando com outras pessoas ao telefone.
O pior é que o mesmo aparelhinho passou a fazer parte da rotina entre os alunos em salas de aulas.
Sinto dó das criancinhas que perderam seus lugares para as conversas de seus pais ao telefone.
É Incrível, mas as pessoas não conseguem perceber como este novo hábito as estão distanciando.
Este cenário que, para mim, mostra uma realidade tão deprimente em notar as pessoas juntas e ao mesmo tão distantes uma das outras, provavelmente não tem para elas o menor significado, pois me parecem bem ajustadas à esta nova condição.
Alguma coisa deve estar muito errada. Seria interessante que Freud estivesse aqui para dar seu parecer.

 
Mari S Alexandre
Enviado por Mari S Alexandre em 16/05/2014
Alterado em 10/08/2014
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