Mari  Silva Alexandre

Sou flor, Sou amor. Sou Dor, Sou amor. É nisto que me resumo.

Meu Diário
26/04/2015 11h39
Carta para uma amiga

     Moro no lado de cá, há quase 25 anos. Tenho mais tempo de América do que de Brasil.

      Respeitar o espaço alheio é algo que faz parte da cultura americana. Confesso que no início foi um pouco difícil me acostumar... Não poder visitar alguém sem antes avisar. Festas de aniversário com convites individuais (sendo que eu tenho dois filhos, e muitas vezes somente um recebia o convite e o outro eu tinha que fazer programa diferente com ele para que não se sentisse preterido), pontualidade nos horários, etc.

     Hoje, me acostumei. Faz parte da minha vida, e é algo natural. Só quando fico no Brasil, é que percebo que um pouco de informalidade  também vai bem.

  É claro que todos querem carinho, aconchego, atenção, e tudo mais. Tudo isso é muito bom. O que não é bom é a invasão. Algumas pessoas passam dos limites.

     O limite é algo bacana. Ele se traduz de várias maneiras: educação, bom senso, noção de espaço,  principalmente do espaço alheio, etc.

      É claro que , por mais que gostemos de alguém e essa pessoa queira nossa atenção total, ela será uma pessoa chata, que continuaremos a gostar, mas com reservas. 

     Entretanto, há algumas invasões que nos fazem um grande bem.

     Lembro de um episódio: Em Lambari aos domingos me  era servido o café da manhã pela moça que trabalhava mesmo sendo o seu dia de folga. Quando eu acordava estava lá um bom café me esperando. Houve um domingo que a moça viajou. Era cedinho e ouvi alguém me chamando (pensei ainda  meio sonolenta: ninguém merece!). Vesti o robe  e fui atender ao chamado. Era a minha doce amiga Sylvia - que caminhara lá do centro da cidade, onde mora, com flores do campo em suas mãos, trazidas para presentear-me - que havia ido me preparar o café da manhã.

   Ela chegou com um lindo sorriso, entregando-me as flores, me preparou o café, me beijou, e foi embora. Como ela  já havia tomado café não quis ficar, pois ia à missa...

    Ela se foi e a emoção que senti me trouxe algumas lágrimas.

     Eu também tenho esse  jeito de fazer coisas que as outras pessoas já fizeram ou que gostariam de fazer para me sentir mais próxima delas. Corrigindo, não faço para me sentir mais próxima; sinto-me mais próxima fazendo.

        É uma sensação de prazer.

       É verdade, há muitos tipos de abraços, às vezes recebemos os que gostamos outras vezes recebemos os que gostam de nos dar.

   Há pessoas que são diferentes, que marcam diferente. E são gostadas por serem assim, como é o caso do Paulo Hecker Filho. Com tanto amor que ele tinha para dar ao Mario Quintana, acabou encontrando uma maneira de deixá-lo feliz sem sufocá-lo, sem obrigá-lo a retribuir na mesma medida. Sábio.

 

 


Publicado por Mari S Alexandre em 26/04/2015 às 11h39
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